domingo, 23 de novembro de 2014

Cícero acordou. Respirou fundo, olhou para os lados. Não se sentia bem. Ultimamente acordava assim, angustiado. Olhou para o relógio. Estava atrasado. Mesmo assim, levantou com calma e foi ao banheiro. Banho. Comida. Escovou os dentes. Estava pronto. Seu humor havia melhorado, estava ficando acostumado com a oscilação no decorrer do dia. Saiu de casa. Trabalho. Reclamaram que ele estava apático, mas Cícero já se sentia assim há um tempo. “Agora é perceptível?”, se questionou. Estava acostumado a guardar seus problemas pra si. Era melhor. Poupava falatório e opiniões que ele não queria ouvir. No entanto, o silêncio estava se tornando uma difícil opção. Por vezes queria gritar, colocar pra fora. Mas, mais uma vez, decidiu calar. Olhou para o relógio. 18h. Hora de voltar pra casa. Pegou seu carro, ligou o som e veio dirigindo tranquilamente. De repente, teve uma ideia. Pensou por 10 minutos. Queria se limpar. Desestressar. Acabar com aquele sofrimento, pelo menos por alguns instantes. Olhou sua carteira, pegou seu dinheiro e entrou no primeiro cabaré que viu. 

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