domingo, 6 de setembro de 2015

Medida

Um vazio que não cabe mais em mim
Um buraco aberto,
Preenchido com nada

Tento identificar quando ele se infiltrou
Mas talvez não haja separação:
o buraco sou eu.

Função

Impaciência corrói os meus sentidos
Aquele sentimento de não aguentar mais
Eu não era assim,
Me tornei a pouco

Mudar às vezes é bom
Só não é bom
Quando o som que ecoa de você
Não parece ser seu.

domingo, 23 de novembro de 2014

Abismo

Atenção flutuante. Olhar parado. Vidrado. As coisas passam ao seu redor, mas seu peito continua vazio. Não consegue se sentir completo. Não mais. É como uma árvore cortada ao meio: ela já não crescerá. Não mais. Outras árvores, flores e plantas podem crescer ao seu redor, mas a árvore não. Ela continuará ali. Parada. Novos pássaros, novos animais e espécies podem agora viver ao seu entorno, mas a árvore não sentirá mais nada. Ainda há raiz, mas não há estímulo. Não há folhas. Não há fotossíntese. Vive por viver, porque morta, ela talvez já esteja.
Cícero acordou. Respirou fundo, olhou para os lados. Não se sentia bem. Ultimamente acordava assim, angustiado. Olhou para o relógio. Estava atrasado. Mesmo assim, levantou com calma e foi ao banheiro. Banho. Comida. Escovou os dentes. Estava pronto. Seu humor havia melhorado, estava ficando acostumado com a oscilação no decorrer do dia. Saiu de casa. Trabalho. Reclamaram que ele estava apático, mas Cícero já se sentia assim há um tempo. “Agora é perceptível?”, se questionou. Estava acostumado a guardar seus problemas pra si. Era melhor. Poupava falatório e opiniões que ele não queria ouvir. No entanto, o silêncio estava se tornando uma difícil opção. Por vezes queria gritar, colocar pra fora. Mas, mais uma vez, decidiu calar. Olhou para o relógio. 18h. Hora de voltar pra casa. Pegou seu carro, ligou o som e veio dirigindo tranquilamente. De repente, teve uma ideia. Pensou por 10 minutos. Queria se limpar. Desestressar. Acabar com aquele sofrimento, pelo menos por alguns instantes. Olhou sua carteira, pegou seu dinheiro e entrou no primeiro cabaré que viu. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fuçou na caixa vazia,
Achou o que não queria,
Se arrependeu no mesmo dia.

Pré-consciente

Eu queria escrever algo
Quase que premeditado
Mas as ideias vão mudando
E tudo vai ficando
Por baixo do pano.