Uma mulher. Uma casa. E os budas ditosos. Tudo é figura de
linguagem. Menos a mulher. E a casa. O atraso, o atraso. Ela, em sua figura que
exalava feminilidade, criticava-os. “Não! Vocês estão errados!
Parem!”. Mas poucos a ouviram. Seletos. Como sempre, os seletos. “Todos
deveriam ler esse livro”, ela disse. “Todos devem ler esse livro”, quem leu
disse. O que seria do mundo se não fossem os seletos? Aqueles que fogem do
habitual, procuram outros meios, outras formas, discutem, criticam, falam. “Hipocrisia,
hipocrisia!”. Sim, e era mesmo. Na verdade, ainda é. Ela jogou no ventilador
tudo que eles gostariam de fazer, mas não fazem. Disse tudo que eles têm medo
de dizer. Fez tudo que eles não tiveram coragem de fazer. Assim, jogou um explosivo, que atingiu os
seletos. Mais uma vez, os seletos. E se os conceitos de seletos e massa fossem
inversos? Se na massa houvesse mais seletos? E vice-versa? Ah, sei lá. O
atraso, o atraso. Se fosse pra definir sua vida, usaria apenas uma palavra:
sexo. Libido, desejo, corpo. Liberdade. Sim, ela faria isso. Pena que ela morrerá logo, há
um aneurisma impedindo sua continuidade mundana. Mas ela disse. Ela fez. Ela
realmente fez. Se morresse hoje, morreria feliz.
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