quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sobre "A casa dos budas ditosos"

Uma mulher. Uma casa. E os budas ditosos. Tudo é figura de linguagem. Menos a mulher. E a casa. O atraso, o atraso. Ela, em sua figura que exalava feminilidade, criticava-os. “Não! Vocês estão errados! Parem!”. Mas poucos a ouviram. Seletos. Como sempre, os seletos. “Todos deveriam ler esse livro”, ela disse. “Todos devem ler esse livro”, quem leu disse. O que seria do mundo se não fossem os seletos? Aqueles que fogem do habitual, procuram outros meios, outras formas, discutem, criticam, falam. “Hipocrisia, hipocrisia!”. Sim, e era mesmo. Na verdade, ainda é. Ela jogou no ventilador tudo que eles gostariam de fazer, mas não fazem. Disse tudo que eles têm medo de dizer. Fez tudo que eles não tiveram coragem de fazer. Assim, jogou um explosivo, que atingiu os seletos. Mais uma vez, os seletos. E se os conceitos de seletos e massa fossem inversos? Se na massa houvesse mais seletos? E vice-versa? Ah, sei lá. O atraso, o atraso. Se fosse pra definir sua vida, usaria apenas uma palavra: sexo. Libido, desejo, corpo. Liberdade. Sim, ela faria isso. Pena que ela morrerá logo, há um aneurisma impedindo sua continuidade mundana. Mas ela disse. Ela fez. Ela realmente fez. Se morresse hoje, morreria feliz. 

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